Artículo 058:
Neurología: Descripción de un caso clínico.
Dr.
CANAL (Ivo Hellmeister Canal)
POLIVET-Itapetininga SP

Em um dia de sol,
Dr. Galibar, advogado, foi, com a família pescar. Ao retornar, encontrou seu
cãozinho deitado no chão, com um extenso ferimento na região do crânio. Era só
sangue espalhado...
Imediatamente levou
o animalzinho para a POLIVET-Itapetininga SP Policlínica Cardiologia &
Odontologia Veterinária,
http://www.polivet-itapetininga.vet.br
, para uma consulta de emergência, onde Dr. Canal o atendeu. Era então 24 de
fevereiro de 2004, por volta das 22 horas. O caso mereceu a atenção também de
Raoní Bertelli Canal, filho de Dr. Canal, estagiário da clínica, que acabara de
entrar na faculdade de Medicina Veterinária da USP – Universidade de São Paulo.
Trata-se de
Beethoven, um cãozinho sem raça definida, mestiço de poodle, macho, 10 kg, um ano e meio no evento, que fora atropelado, e, ao que
tudo indica, um parafuso da suspensão do veículo bateu fortemente em sua cabeça,
fazendo um ferimento com fratura da calota óssea, com exposição de tecido
nervoso. O problema é que, pelo que contaram os visinhos, o acidente já tinha
mais de 12 horas, e o animal apresentava-se um tanto quanto desfalecido.
Na internação as
funções vitais (pulso, temperatura, respiratório, tempo de reenchimento capilar)
mostraram-se dentro dos parâmetros de normalidade salutar, mas os testes
neurológicos mostravam uma depressão do sistema nervoso central.
O paciente foi
submetido à antibioticoterapia injetável (amoxacilina + Enrofloxacina),
soroterapia, com glico-fisiológico associando, através de torneira de três vias,
a uma suspenção de manitol a 20%. Recebeu também oxigenoterapia e AIE –Anti
Inflamatório Esteroidal- e furozemida como terapia curativa e profilática do
edema cerebral agudo.
No detalhamento do
exame identificou-se no crânio uma solução de continuidade de pele de
aproximadamente 7 cm de diâmetro, uma fratura da região da cruz do crânio,
formada pelos segmentos direito e esquerdo, entre os ossos parietal e frontal, e
com exposição da massa encefálica. A duramater estava ao exame, preservada, mas
uma esquílula óssea estava pressionando o cérebro, e, a ferida, apresentava-se
com sujidades, incluindo terra, coágulos, graxa. Apresentou também escoriações
diversas, sem grande significado clínico.
O paciente
imediatamente foi internado, e submetido à anestesia geral com oxigenoterapia
auxiliar. Teve a região perilesional submetida à tricotomia, e limpeza e lavagem
do ferimento, tomando-se o cuidado de não agravar a lesão da matéria neuronal.
Foram realizados,
já sob forte sedação, curativos com ducha fria por 30 minutos com o intuito de
se reidratar os tecidos e, principalmente, retirar-se mecanicamente as
sujidades. Todo o ferimento foi submetido à escovação, com escova de degermação
( que pode ser substituída por escova de dentes) e sabão de lavar louça neutro,
exceto a duramater. Para o caso utilizou-se sabão da marca Ype®.
Evidentemente que
sabão de lavar louça não é o mais indicado para se lavar um ferimento desta
gravidade, mas, para o caso, devemos lembrar que o paciente estava com a
duramater suja com graxa de suspensão de caminhão. Utilizar um solvente poderia
ser muito mais grave. Como temos larga experiência em utilizar o sabão de lavar
louça Ypê em feridas abertas, nos vimos obrigados em lançar mão dele,
minimizando a agressão.o dele, minimizando a agress
obrigados em lançar mComo temos larga expericaso, devemos lembrar que o paciente
estava com a dura.
Uma esquílula óssea
foi removida e, após escovação energética, tratada com água oxigenada e
permaneceu em banho de degermante iodado durante o banho do paciente.
Dada a exposição da
massa neurológica, optou-se por aplicar no tecido sub-cutâneo tintura de
calêndula e arnica, mas o cérebro teve de ser tratado com maior delicadeza, não
sendo viável a escovação, ainda assim, desinfecção local com iodo a 5%.

Aspecto do paciente
após higienização e entisepsia inicial.
O paciente foi
levado para o Centro cirúrgico, e sob anestesia geral com Isoflurano e óxido
nitroso, mantendo a oxigenoterapia auxiliar, foi submetido a cirurgia
reparadora.

Aspecto inicial

Colocação de panos
cirúrgicos e aplicação de tintura de iodo a 5% em toda a região.

Remoção de
esquílula óssea de 3 cm de diâmetro.


Reavivamento das
bordas.
Segundo Matera, A.
FMVZ-USP, as feridas apresentam três zonas, a saber: a de destruição, ou
central, a de hipóxia ou medial e a irritativa, sendo que a central e parte de
medial irão necrosar por isquemia, e a irritativa e parte da central irão formar
a cicatrização. Desta forma, preservando-se a ferida cirúrgica, e, tendo em
vista mais de 12 horas do acidente, as bordas da ferida de pele foram reavivadas
removendo-se parte lesada da ferida (tecido com hipóxia), em uma faixa de
aproximadamente 1 cm.


Limpa, a lesão já
apresentava outra aparência.
A esquílula óssea
removida foi então aplicada em sua posição original, e aplicada pontos frouxos
para fixação no local, mas permitindo que, em caso de edema e inchaço da massa
neuronal, ela cedesse dando espaço para o extravasamento de fluidos e escansão
da massa sem que causasse mal por compressão.


Detalhes da
aplicação de antibiótico perilesional antes do fechamento do sub-cutâneo.


As camadas
subcutâneas foram aproximadas evitando a formação de bolsas e coleções.
Foi aplicada uma
sutura de subcutâneo para reduzir os espaços mortos, com fio de mononylon 0,30mm
de diâmetro.

No trans-cirúrgico
a pele sendo fechada.
Após o fechamento
do subcutâneo, o paciente recebeu uma associação de antibióticos sistêmicos a
base de enrrofloxacina, associado ao amoxacilina perilesional.
A sutura foi
concluída e o paciente colocado na gaiola de internação de pós-cirúrgico
imediato, mantendo-se o tratamento de UTI: monitoração cardíaca, soro em veia
pega, oxigenoterapia auxiliar.
Foi mantida
medicação com glicocorticóides, manitol, furosemida, antibióticoterapia por mais
72 horas, antibiótico por 10 dias, tripsina e quimiotripsina também por 10 dias.

Aspecto do paciente
em 12 horas de pós cirúrgico, ainda desfalecido.
Nas 12 horas
seguintes, o paciente apresentou sinais de lesão do sistema nervoso central,
incluindo midríase total (pupilas dilatadas), dificuldade de locomoção,
irritabilidade. Foi mantido o glicocorticóide: flumetasona inicial, mantida
prednizolona 3 mg/kgq24hs.
ANDAMENTO DO CASO:
Após a recuperação inicial, cotidiamamente foram tomadas e medida três vezes ao
dia as funções vitais (pulso, temperatura, respiratório, tempo de reenchimento
capilar) dentro dos parâmetros de normalidade salutar em todas as tomadas. Os
sinais de evacuação, micção, alimentação e ingestão de água era anotada
permanentemente.

Durante a
internação, Beethoven está sendo tratado e se recuperando bem.
Os pontos foram
removidos no 8º dia de pós cirúrgico, e o paciente submetido a tosa geral.

A marca da cicatriz
após a remoção dos pontos de aproximação e sutura
O paciente ficou
internado por 10 dias. Na saída já mostrava enxergar, e com muito mais
facilidade de locomoção.

Aspecto atual do
paciente.
Conclusão
Por vezes
recebemos, em um feriado, a noite, um paciente que, no primeiro instante,
julgamos praticamente sem chances de recuparação, ou, se recuperado, com grande
probabilidade de manter seqüelas graves pelo resto de sua vida. Tudo conspira
contra você impetrar protocolos rígidos de tratamento. O caso em questão, ainda
mostrou duas agravantes: 1- o tempo entre o acidente e o atendimento maior de 12
horas, e 2- as sugidades, terra e graxa da suspensão do carro causador do
acidente, em contato direto com o cérebro.
Ao ver desta
equipe, mesmo em situações em que exista uma chance muito pequena de
recuperação, mesmo que diminuta, não cabe ao profissional da área de saúde
animal, o clínico médico veterinário, decidir quando deve-se empenhar a tratar o
caso e quando indicar a eutanásia, mas, tão somente, ser o mais honesto e
transparente possível com seu cliente, sempre, transmitindo-lhes todas as
informações, e deixar que o cliente tenha a decisão final.
Para o presente
caso, a família não chegou a cogitar eutanásia, não sem uma tentativa assertiva
e empenhada antes. Nossa equipe fez além daquilo que estava ao seu alcance,
expandindo a técnica empregada na clínica. Durante o pós cirúrgico imediato,
dedicamo-nos a pesquisar em livros e Internet, casos semelhantes, e meios e
métodos para estabelecermos os melhores protocolos para o tratamento.
Nosso empenho e
esforço foi agraciado de pleno sucesso, o que seria impossível sem que a família
do paciente em questão se empenhasse e investisse financeiramente no caso,
dando-nos a sustentação necessária para tratar nosso amigo Beethoven.
Fica desta forma o
relato, mesmo com tudo conspirando contra, Beethovem mostra hoje perfeita saúde,
e não se percebem marcas ou seqüelas de seu acidente, um que indicava
francamente uma eutanásia, resultou em um paciente sarado, embora que, depois do
acidente, tenha ficado mais mal humorado...
Agradecimentos:
§
A Deus, sempre devemos iniciar agradecendo a Deus.
·
Pelo lindo Planeta,
·
Pelas oportunidades desta nossa vida,
·
Pela Luz.
§
Ao Mestre Jesus
·
Pelas lições de amor ao próximo,
·
Pela eterna vigília,
·
Pelo exemplo de vida.
§
Aos nossos Guias e Mentores Espirituais
·
Pela nossa condução,
·
Pelos bons eflúvios,
·
Pela ajuda eterna.
§
Aos proprietários de Beethoven,
·
Pela confiança,
·
Pela autorização para publicarmos o presente trabalho,
·
Pela enorme dedicação ao nosso amigo Beethoven.
·
Pela sustentação financeira, viabilizando o tratamento.
§
A Minha esposa e filhos, por tanto apoio, mas em especial
·
Ao meu filho Raoní Bertelli Canal, pela ajuda inestimada no
tratamento do paciente e feitura deste trabalho.
·
A minha filha Maialú Canal pelas fotos, do pré, trans e pós
cirúrgico, material necessário para documentar esta publicação.
§
A equipe de suporte da POLIVET-Itapetininga SP Policlínica
Cardiologia & Odontologia Veterinária sem o que não conseguiria trabalhar.

Os autores agradecem
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Dr. CANAL (Ivo
Hellmeister Canal) - CRMV-SP 3967
·
Médico
veterinário pela Universidade de São Paulo desde 1983,
·
Diretor Brasileiro da Comunidade.org
·
Membro do comite de redação de Red Vet
·
Membro do comite Internacional Científico de Red Vet
·
Diretor clínico da POLIVET - Itapetininga SP Policlínica
Cardiologia & Odontologia Veterinária Itapetininga - Brasil
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Moderador da
Vetlista Dr. Edgard Nunes D'Almeida
Http://www.polivet-itapetininga.vet.br/vetlista
·
Moderador da
Cardio-vet
Http://www.polivet-itapetininga.vet.br/cardiovet.htm.
C.V completo
em http://www.polivet-itapetininga.vet.br/CV/ihcanal.htm
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RAONÍ BERTELLI
CANAL
é
- Estudante de
Médicina veterinária pela Universidade de
Sâo Paulo
desde 2004,
- Moderador
Discente da Vetlista Dr. Edgard Nunes
D'Almeida
(Http://www.polivet-itapetininga.vet.br/vetlista.
C.V completo
em http://www.polivet-itapetininga.vet.br/CV/raoni.htm
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Bibliografia
1.
CANAL, I.H. – Textos Técnicos –
Http://www.polivet-itapetininga.vet.br/obras
2.
ETTINGER, S. e FELDMAN,E. – Tratado de Medicina Interna
Veterinária – 4ª Edição
3.
KIRK, W.Robert e BISTNER, Stephen I. – Manual de
procedimentos em emergência
em Medicina Veterinária
3ª Edição.
4.
VIANA, F.A.B – Guia Terapêutico Veterinário – Belo Horizonte
2003
5.
ZANINI, Antonio C. e OGA, Seizi - Farmacologia Aplicada –
EDUSP – Editora Universidade de São Paulo.
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